quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Arno Rafael

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Nada mais belo que as nuances graduadas entre o preto e o branco,
a sinergia entre músculos e linhas do mundo,
os ângulos imprevisíveis sob o olhar de Arno.
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domingo, 13 de junho de 2010

Gravité & Sonar


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Coletei o comentário da Siane feito sobre os dois vídeos para apresentá-lo aqui no corpo do post, pois diz bem mais do que eu poderia dizer sobre a impressão causada ao assisti-los.

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"É complicado expressar em palavras a minha expressão facial ao ver o "Gravité" (também pelo fato de que eu mesma não vi qual foi tal expressão), mas confesso que fiquei estupefata! - e também que fiquei contando pra ver até quando ficariam atirando a pobre da tv de lá de cima... Quanto ao "Sonar", achei simplesmente fantástica essa união de som e imagem. É, ao mesmo tempo, intrigante e tranquilizante. Ambos os vídeos são geniais."
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sem palavras

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Digo
gota
...
mas sinto
Oceano
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Solitude

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mas nada que...

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Se achava que reescrevia
..nova história
Sobre os já idos sedimentos
Vejo revelando
...................a lágrimas
meu próprio palimpsesto.
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Ai, sem formalidade!
Devia mesmo é virar
..a louca cínica
Atirar merda
Botar fogo sair
...................às gargalhadas.
Falta merda e cinismo.
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terça-feira, 23 de março de 2010

Pesadelo

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Sim, tive um! Sonhei que abria um envelope e desdobrava um papel, no qual estava escrito:
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OBJETO DE ESTUDO DA LINGUÍSTICA
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Eu não sabia muito bem o que fazer com aquilo, pois uma frase assim, solta, sem verbo, sem imperativo, sem direção nem pista funde a cabeça duma pessoa. Mesmo em sonho. Comecei a caminhar com aquele papel ainda desdobrado, esvoaçando pra frente e pra trás na minha mão pendente e hesitante. Caminhava tentando encontrar algo à minha volta que correspondesse a esse tal objeto. Afinal, se ele tem correspondente no mundo, eu poderia encontrá-lo em algum momento. O problema é que eu não sabia para que lado ir. Estava anoitecendo, e uma neblina fria e densa como caixa de algodão se formava à minha volta, impedindo a visão. Eu praticamente não enxergava nada diante dos meus olhos. Tentei manter a calma e imaginei que se encontrasse uma placa que me indicasse um caminho, tudo seria mais fácil. Se ao menos houvesse um caminho...
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Tateando nesse nada gotejante, bati a cabeça num poste. Olhei para cima. No alto do poste havia uma placa com uma seta indicativa, na qual estava escrito:
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OBJETO DE ESTUDO DA LINGUÍSTICA
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Parecia piada. Fácil demais. Ali na minha frente, quem diria? Olhei para todos os lados mas não percebia nada. Pois é! Nenhum objeto, nenhum ser, nada nem qualquer coisa, ente ou fenômeno que me indicasse que ali estava o tal objeto. Ainda assim, dei um primeiro passo após a placa. Notei, então, que a neblina se adensava bastante. Recuei. A neblina se dissipou um pouquinho, mas se eu ultrapassasse a placa novamente, a neblina voltava a se adensar, anuviava-se! Voltei a olhar para a placa. Sim, a indicação era de que o objeto estava ali, à minha frente, mas será que estava realmente diante de mim? Meu objeto era uma nuvem no meio da neblina? Um algo-quem indefinido e pouco determinado, do qual não se percebe claramente o começo e o fim, um todo heteróclito (hehe) e multiforme? Complicado. Se ao menos houvesse um mapa...
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Ouvi uns risos abafados. Alguns homens se aproximavam, saindo da nuvem-neblina. Pedi informações sobre o objeto, e eles disseram, apontando para a nuvem:
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"VEJA! NOSSO INTUITO PRINCIPAL FOI FORMAR UM TODO ORGÂNICO!"
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Foram embora sem olhar para trás, mas deixaram cair uma grande folha laranja dobrada. Era um mapa. Percebi, na verdade, que o mapa era de uma localidade conhecida, mas era fruto de uma colagem de partes de mapas de diferentes escalas, formando um verdadeiro chopê-colê, uma espécie de carta geográfica-Frankenstein, e que cada parte correspondia a tipos diferentes de mapa. Assim, rotas rodoviárias acabavam virando rios, por exemplo. Bem, ainda assim era melhor do que nada. Entrei, corajosamente (ui!), na nuvem-neblina, a fim de entender meu objeto. Senti um frio na barriga, uma inquietação, mas segui em frente. Se ao menos soubesse pra que lado ficava a frente...
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Durante minha caminhada em busca do objeto, um grupo de pessoas foi aparecendo em meio à nuvem-neblina à medida que eu caminhava. Vi, então, que discutiam acaloradamente, em volta de um mapa aberto no chão. Era o mapa laranja. Percebi também que cada um tinha, além desse mapa, uma folha dobrada debaixo do braço. E que também parecia ser um mapa, só que um pouco diferente do primeiro em questão. Seria um mapa do mapa? Uma edição crítica do mapa? Sua própria interpretação do mapa? Fiquei curiosa (e confusa!), mas como não conhecia aquela gente, não me aproximei muito. No entanto, procurei ouvir um pouco da discussão, para o caso de obter alguma informação importante que me trouxesse uma luz diretiva. Aquela gente dava a entender que conhecia muito bem a tal nuvem-neblina, já que pareciam estar ali há décadas (eram bem velhinhos) e pelo fato de cada um afirmar qual era a direção correta e a apontar com mais propriedade e aparência de verdade do que os outros. Ironicamente, cada um apontava para um lado diferente, até porque cada um via o mapa de um ângulo diferente. E para piorar, como eu não me aproximei muito deles, não conseguia ouvir direito o que diziam, por isso não os entendia. Eu já começava a ficar nervosa, pois notei que, de tudo o que ouvia e captava, havia muito de complicado, contraditório, oposto e confuso nas tantas afirmações categóricas. Alguns falavam do mapa, outros da nuvem, mas eram unânimes em dizer que conheciam muito bem o autor e que tinham afinal compreendido qual era o caminho que ele indicava no seu mapa, mas que, para surpresa minha, tal autor não o havia desenhado! Intrigante. E eis que a pira começou a se instalar no meu serzinho. Em meio a tudo isso, notei um rapaz sentado numa pedra, com olhar pensativo, vestindo um uniforme escrito safe park. Ele se aproximou de mim e perguntou:
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O QUE O LINGUISTA FAZ?
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Antes de eu responder, surgiu na minha frente um homem com uma capa, cobrindo a cabeça com um capuz negro e opaco. Trazia um remo na mão direita e uma lamparina na mão esquerda. O barqueiro se chamava Valdir e, ao me encontrar, disse que eu havia entrado na nuvem sem ter lhe dado as duas moedas, e que por isso iria arrancar meus miolos e me levar às raias da loucura. Ai! Meu coração batia descompassado! Se ao menos eu acordasse...
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quarta-feira, 10 de março de 2010

Um pouco de botânica familiar...

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Castro é uma cidadezinha muito charmosa. Ao voltar das minhas férias passadas lá, olho para as fotos que tirei e penso nas várias qualidades desse lugar desconhecido por tantos: a arquitetura portuguesa no centro da cidade, as colônias de imigrantes europeus, os tantos museus e casas culturais, as quedas d'água e canyons, assim como a cidade quase sempre encoberta pela neblina, que são só uma amostra do lugar. O que mais interessa em Castro para mim, no entanto, são as raízes. As minhas raízes.
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Dez anos atrás fui embora de Castro deixando muito para trás. Deixei também algo que sempre me traria de volta, que me daria a sensação de pertencimento... as tais raízes, uma destinação natural. É incrível como o tempo e a distância não alteram esse sentimento de ninhada, de balaio-de-gato, e, quando revisito meu próprio interior, identifico que essas raízes espalham-se, espiralam-se e fixam-se em tudo o que sou. Morei em diversos lugares, convivi com muitas pessoas, mas meus sonhos à noite quase sempre são castrenses. É onde me sinto verdadeiramente em casa. Bem, tal sentimento é plenamente justificável: Castro é justamente onde nasci, onde vivi por 26 anos; é onde fica a casa da minha infância, onde vivem as pessoas que amo e que me amam de verdade. O caso é que não importa o quão longe eu esteja longe da minha sementeira, eu de fato nunca vou me esquecer do barulho dos pardais cantando às 6 da manhã na janela do meu quarto, do pão de alho da minha mãe, do olhar sorridente da minha avó, das velhas rusgas com meu irmão, das piadas do meu pai, da risada da minha sobrinha nem dos amigos que estão lá e que também tornaram meus dias em Castro mais felizes.
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No final das contas, são as raízes familiares que me mantêm em pé, são elas que me nutrem e que me dão segurança, e é por elas que volto às minhas origens sempre que posso. É como os castrenses dizem: "quem bebe água do Iapó, sempre volta". E eu acrescento: volta pra casa.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RIP

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Sim, é triste
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Enterrar flores.
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Mas é mais triste
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Regá-las mortas.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ponto pra fuga

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[Porto Alegre, RS - imagem: Edna Regina Hornes]
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Continho em Si Maior

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Para Si
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Quando se apaixonava ouvia sons musicais. Róseos acordes bemóis. Mas não se dava conta disso. Quando o conheceu, o mundo ficou então mais colorido e sonoro, só que a vida dela deixou o pianíssimo de lado para alternar-se entre staccatos e quiálteras de um relacionamento um tanto conturbado. Se dependesse dela, tudo pra eles seria permeado pelo alegretto giocoso e romântico, enquanto que para ele a manutenção do namoro estava alicerçada num agregado sonoro bem intervalado e na liberdade do ad libidum dos intérpretes afetados. Aí começou o adágio dissonante e decrescente.
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Tempos depois, após o fim dessa pequena sinfonia a quatro mãos (e sem direito a bis), veio a prova de fogo. A noite era chuvosa. Ela estava entre amigos. Ele também. Encontraram-se por acaso, e, entre sushis e wasabi, o som que ela ouviu foi de desafino. Notas desconfortáveis e polifônicas, sem cadência, ensaio atonal de orquestra crescendo para um fortíssimo pulsante e furioso. Desse jeito, a noite tinha tudo pra terminar num melancólico noturno. Ali mesmo, no entanto, a música foi outra. Tudo porque ela havia resolvido seguir outros sons e experimentar um novo estilo. Partiu pro rock e pros solos de guitarra. Foi quando descobriu que não havia mais bemóis. Tinha se tornado Si Maior.
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E ele ficou lá... babando semicolcheias.
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Conheça uma outra versão desta história clicando aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Finito

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Ô, dia!
Dia de nada
Dia sem dia
Caixa vazia!
E ainda assim
Menos um dia.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pomplamoose

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Quem já conhece vai concordar comigo: a dupla Nataly Dawn e Jack Conte (que formam a Pomplamoose) são músicos versáteis e de bom gosto. Fui "apresentada" através de uma dica do Sidnei, que sempre tá antenado. Adorei de primeira e, desde então, sempre fico fuçando o Youtube atrás de vídeos deles. Deixo abaixo "Nature boy", uma amostra super bonita da dupla, postada por eles dia 16 de agosto passado:
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Se quiser ouvir/ver um pouquinho mais, deixo mais 3 músicas que adorei: "Le commun des mortels", doce e linda principalmente pelos arranjos e edição (esta formidável); a xuxu "La vie en rose", que dá vontade de sair dançando esvoaçante; e "Mrs. Robinson", que foi o primeiro vídeo que vi deles. Percebe-se que eles não estão pra brincadeira, embora rolem de rir com isso.
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Obrigada, Sidnei.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De volta?

Queridos,


Depois de tanto tempo longe do blog, estou aqui, batendo meu cartãozinho saudoso. Estive fora por tanto tempo, por tantos motivos... eu me formei, viajei para o Paraná para visitar a família, de quem sinto tanta falta...

Falando em Paraná, foi tão bom estar lá! Que saudade da minha linda Castro. Fiquei tão feliz em rever cada cantinho daquela cidade que se cuida tanto. Tá tão bonitinha, pintadinha, limpinha, caprichosinha... e os lugares tão pitorescos, atraentes, aconchegantes. Fiz tanta coisa legal! Fiquei com meus familiares, revi amigos, pesquei lambari (viu, Siane, também pesco!), fui no Sete Gatos, passeei nas praças, relembrei bons momentos do meu passado.
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Nossa, amei muito ter revisitado os recôndidos da memória, rememorado os lugares do meu coração. Deixo uma foto (que também está no meu Orkut), pra vocês terem uma leve ideia da belezura de Castro.

[Praça do cinema - Castro, PR - Imagem: Edna Regina Hornes]

Até logo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prova de recuperação

Sempre achei que nos dias nublados o verde é mais verde. E como gosto de verde, gosto também dos dias nublados.
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Hoje o dia está especialmente cinza. Verde, logo. Esta manhã se preparou para compensar (e quem sabe para simbolizar) toda a noite insone a pensar em O Ensaio sobre a Cegueira e na minha própria... a cegueira da vida, a cegueira dos passos mal dados, a cegueira dos que põem tanto a perder. Bem, essa cegueira pouco tem a ver com a cegueira de O Ensaio, mas é fato que uma cegueira leva a outra ou, ao menos, torna-nos conscientes dela. De qualquer forma, o nubladinho choroso estava ali e me veio como a chuva cândida e santa, a consolar o choro chorando junto, e marcado com pinceladas daquele verde de que tanto gosto: o verde dos que esperam.
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A manhã se abriu assim tão especial porque o dia é especial: meu último dia de UFRGS, último compromisso como graduanda, última(?) visita ao olímpico Campus do Vale, minha última prova. E prova de recuperação! O nome não poderia ser mais adequado, porque finalmente fui apresentada ao Saramago, e isso não é coisa de que se recupere assim tão facilmente. Esse autor foi o melhor ponto com o qual eu poderia ter finalizado o curso. Já me justifico: embora o ponto caiba aqui figurativamente, conscientizo-me do quase sacrilégio em reduzir o escritor a isso. Posso afirmar, então, que por mais candente, dolorido e cru que tenha sido O Ensaio, o belo Ensaio, para mim ele veio acompanhado do verde, mas um verde mais escuro: aquele dos que finalmente conheceram Saramago, mas que sabem que perderam por esperar.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Porto

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Porto, minha Porto
Tuas luzes me acendem
Tuas águas me regam
Enraizo-me em ti.

Porto, ah, minha Porto!
Amo-te como se fosses minha
Percorro teu corpo
E me fazes assim
Tão como tu
Alegre.



Edna Hornes
15 de junho de 2009
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terça-feira, 9 de junho de 2009

Noite na Taverna

A UFGRS tem recantos privilegiados. Alguns oásis. Um deles é o setor onde estão os livros raros (COE), na BSCSH. O acesso a essa sala é restrito, mas se você solicitar com muito jeitinho a entrada ao plantonista, ele permite.

De vez em quando eu e alguns amigos passeamos pelos corredores, pelas prateleiras, tocando, folheando, acariciando aquelas riquezas, cujo cheiro, textura e capa são tão atraentes e prazerosos quanto o conteúdo. Tempos atrás, eu e o Daniel olhávamos alguns tomos de capa dura do século XIX, quando um livro atraiu a atenção pelo tamanho, sobressaindo-se dos demais. Como a capa era de papel, foi preciso cuidado para removê-lo dentre os outros. "Álvares de Azevedo - Noite na Taverna, Contos fantásticos, Macário", da editora Globo. Difícil ter encontrado algo melhor. A edição é ilustrada, data de 1952. A tiragem foi de 1.200 exemplares numerados e todos assinados pelo ilustrador João Fahrion. Fotografei as imagens. Aqui estão algumas delas:
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]

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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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Não sei quanto a você, mas eu nunca tinha ouvido falar do Fahrion, a não ser por uma sala com seu nome na Casa de Cultura Mário Quintana. Deixo, então, alguns dados, pelo menos pra não passar em branco (e para aguçar sua curiosidade): o portoalegrense João Fahrion nasceu em 1898; foi pintor, ilustrador, desenhista, professor de artes plásticas na UFRGS; estudou e se aperfeiçoou em vários países (dentre eles, Alemanha e Holanda), aos pés de mestres respeitados; faleceu em 1970.

Fahrion não é o único lá no COE. As prateleiras guardam outras muitas surpresas. Basta curiosidade, paciência e um certo tino pra garimpagem. Assim você encontra a primeira obra publicada no Brasil, um dicionário de português elaborado pelo português Antônio de Moraes Silva, em 1813. Conhece? Não? Então vá lá!
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Como elaborar um resumo de artigo


De tanto revisar artigos científicos, especialmente das áreas biomédicas, cheguei à conclusão (e não foi difícil) de que uma das maiores dificuldades dos autores é a de elaborar um resumo/abstract que efetivamente resuma a essência de sua pesquisa e que ao mesmo tempo atraia potenciais leitores.

Ciente desse obstáculo para a divulgação e propagação do conhecimento científico, trago aqui a grande solução para aqueles que precisam desesperadamente de um modelo que os auxilie. Não se preocupe: este modelo serve para qualquer área de conhecimento. Portanto, não receie em usá-lo em todas as situações. É muito fácil! Basta usar as sugestões dadas para preencher os espaços em branco. Use a criatividade! Você se transformará num famoso e bem-sucedido escritor de resumos.
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Os créditos vão para a PHD Comics. Para conhecer outras tiras, visite http://www.phdcomics.com/.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Meninos, eu vi!

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Difícil descrever algo que não aconteceu, mas eu vi. A tarde estava ensolarada. A Andradas, movimentada. Sentei num banco, sozinha, no quarto andar do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, sala O Retrato, cujas paredes estavam repletas de grandes fotografias em preto-e-branco retratando o cotidiano do Érico em casa, na rua, com a família.

Eu ouvia música naquele momento em que meus olhos se fixaram numa fotografia em especial, que mostrava a mesa de trabalho em primeiro plano, a máquina de escrever e outros objetos sobre a mesa e as estantes atulhadas de livros, ao fundo. O Érico estava em pé, olhando para um ponto qualquer não visível através da janela, à esquerda da fotografia. Parecia concentrado ou um tantinho distraído, o que dá na mesma. Pensando agora, acho até que ele estava com uma mão no bolso esquerdo. Aparentemente não percebeu que havia sido clicado.

Aquela música foi envolvendo o ambiente, imiscuía-se na imagem de forma que cheguei quase a pensar que havia um toca-discos na tal biblioteca e que o Érico também a estava ouvindo. Foi quando o vi sair de frente da janela e andar para um lado da biblioteca, devagar, pensativamente. Olhei de novo e ele tinha voltado para a janela, o espertinho.

É nessas horas que penso que se imagem diz tudo, imagine se os outros sentidos fossem estimulados, todos ao mesmo tempo. As imagens fariam tudo... sugeririam ações, conceitos, mensagens e ideias de uma forma muito mais intensa e dinâmica do que apenas como "meras" imagens.

Não lembro mais que música era a que, unida à imagem, sugestionou os passos pensativos do Érico. De qualquer forma, as que ouvi depois não produziram tal efeito alucinógeno, o que me fez concluir que se músicas específicas combinadas sinergicamente a fotografias específicas produzem uma terceira obra, não será tão cedo que vou ver o Érico passear de novo.

Não tem problema. Vou tentar de novo no MARGS, ali na pinacoteca APLUB. Quem sabe, com um pouco de sorte, uma borboleta saia voando de um Weingartner.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um dia eu chego lá

["Um dia eu chego lá" - imagem: Edna Regina Hornes]

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quebra de rotina

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Chegou em casa. Cumprimentou a esposa, abriu a geladeira, pegou uma cerveja e deixou-se cair no sofá, em frente à televisão. Com o controle na mão, mudava constantemente de canal. Olhar ao léu. Preocupado, sentia-se estranho desde o último serviço. Os programas passavam por seus olhos distraídos, quando viu num noticiário policial o retrato falado de um assassino profissional. O coração bateu forte. E agora? O desenho não é bom, mas posso ser reconhecido.

Desde o último crime, sentia que não havia sido perfeito. Lembrou-se que havia sentado no chão, encostado à parede fria, mãos na cabeça, a olhar para a vítima ensanguentada. Parecia ter esquecido de um detalhe. E pensou no primeiro crime que cometera. Sabia que mesmo que em cada caso houvesse um inusitado requinte de crueldade, fazia tudo sempre igual. Era conhecido como Judas Iscariotes, por pendurar suas vítimas numa corda e abrir seu abdômen em forma de cruz, espalhando as vísceras pelo chão. Nunca se esquecia de pronunciar o viático sacramentum exeuntium, para a boa viagem de cada uma.

A televisão ainda ligada. Já pensava alto. Da cozinha, sua esposa pergunta:

- Sim, meu bem?
- Nada, não.

O entrevistador conversa com uma pessoa que diz saber quem é Judas, mas que não quer ser reconhecida. Ela está numa sala escura, de costas, e sua voz é distorcida. De olhos arregalados, Judas grita. A esposa vem em sua direção, mãos ensaboadas, perguntando o que havia acontecido.

- Foi você, sua cadela!
- O quê?!
- Eu reconheci o cabelo crespo e a blusa listrada!

Sem falar mais, vai à cozinha seguido da esposa embasbacada, que perguntava qual era o problema. Pega uma faca na gaveta, vira-se e a enfia no umbigo da esposa. Tapa a boca dela com a mão. Corte em cruz. Sobe para o quarto do filho. Algum tempo depois, a polícia chega com a vizinha de Judas, dizendo que havia ouvido ruídos estranhos na casa.

- É ele? pergunta o policial, apontando para um corpo inerte.
- Sim, é ele, responde a vizinha. Tinha cabelo crespo e usava blusa listrada.
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Moral da história: não compre na Renner.
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