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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Arno Rafael

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Nada mais belo que as nuances graduadas entre o preto e o branco,
a sinergia entre músculos e linhas do mundo,
os ângulos imprevisíveis sob o olhar de Arno.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ponto pra fuga

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[Porto Alegre, RS - imagem: Edna Regina Hornes]
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terça-feira, 9 de junho de 2009

Noite na Taverna

A UFGRS tem recantos privilegiados. Alguns oásis. Um deles é o setor onde estão os livros raros (COE), na BSCSH. O acesso a essa sala é restrito, mas se você solicitar com muito jeitinho a entrada ao plantonista, ele permite.

De vez em quando eu e alguns amigos passeamos pelos corredores, pelas prateleiras, tocando, folheando, acariciando aquelas riquezas, cujo cheiro, textura e capa são tão atraentes e prazerosos quanto o conteúdo. Tempos atrás, eu e o Daniel olhávamos alguns tomos de capa dura do século XIX, quando um livro atraiu a atenção pelo tamanho, sobressaindo-se dos demais. Como a capa era de papel, foi preciso cuidado para removê-lo dentre os outros. "Álvares de Azevedo - Noite na Taverna, Contos fantásticos, Macário", da editora Globo. Difícil ter encontrado algo melhor. A edição é ilustrada, data de 1952. A tiragem foi de 1.200 exemplares numerados e todos assinados pelo ilustrador João Fahrion. Fotografei as imagens. Aqui estão algumas delas:
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]

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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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[Ilustração de João Fahrion - imagem: Edna Regina Hornes]
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Não sei quanto a você, mas eu nunca tinha ouvido falar do Fahrion, a não ser por uma sala com seu nome na Casa de Cultura Mário Quintana. Deixo, então, alguns dados, pelo menos pra não passar em branco (e para aguçar sua curiosidade): o portoalegrense João Fahrion nasceu em 1898; foi pintor, ilustrador, desenhista, professor de artes plásticas na UFRGS; estudou e se aperfeiçoou em vários países (dentre eles, Alemanha e Holanda), aos pés de mestres respeitados; faleceu em 1970.

Fahrion não é o único lá no COE. As prateleiras guardam outras muitas surpresas. Basta curiosidade, paciência e um certo tino pra garimpagem. Assim você encontra a primeira obra publicada no Brasil, um dicionário de português elaborado pelo português Antônio de Moraes Silva, em 1813. Conhece? Não? Então vá lá!
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Meninos, eu vi!

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Difícil descrever algo que não aconteceu, mas eu vi. A tarde estava ensolarada. A Andradas, movimentada. Sentei num banco, sozinha, no quarto andar do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, sala O Retrato, cujas paredes estavam repletas de grandes fotografias em preto-e-branco retratando o cotidiano do Érico em casa, na rua, com a família.

Eu ouvia música naquele momento em que meus olhos se fixaram numa fotografia em especial, que mostrava a mesa de trabalho em primeiro plano, a máquina de escrever e outros objetos sobre a mesa e as estantes atulhadas de livros, ao fundo. O Érico estava em pé, olhando para um ponto qualquer não visível através da janela, à esquerda da fotografia. Parecia concentrado ou um tantinho distraído, o que dá na mesma. Pensando agora, acho até que ele estava com uma mão no bolso esquerdo. Aparentemente não percebeu que havia sido clicado.

Aquela música foi envolvendo o ambiente, imiscuía-se na imagem de forma que cheguei quase a pensar que havia um toca-discos na tal biblioteca e que o Érico também a estava ouvindo. Foi quando o vi sair de frente da janela e andar para um lado da biblioteca, devagar, pensativamente. Olhei de novo e ele tinha voltado para a janela, o espertinho.

É nessas horas que penso que se imagem diz tudo, imagine se os outros sentidos fossem estimulados, todos ao mesmo tempo. As imagens fariam tudo... sugeririam ações, conceitos, mensagens e ideias de uma forma muito mais intensa e dinâmica do que apenas como "meras" imagens.

Não lembro mais que música era a que, unida à imagem, sugestionou os passos pensativos do Érico. De qualquer forma, as que ouvi depois não produziram tal efeito alucinógeno, o que me fez concluir que se músicas específicas combinadas sinergicamente a fotografias específicas produzem uma terceira obra, não será tão cedo que vou ver o Érico passear de novo.

Não tem problema. Vou tentar de novo no MARGS, ali na pinacoteca APLUB. Quem sabe, com um pouco de sorte, uma borboleta saia voando de um Weingartner.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um dia eu chego lá

["Um dia eu chego lá" - imagem: Edna Regina Hornes]

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Antibússola


["Relativity" - Maurits Cornelis Escher, 1953]
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Gilberto Freyre

[Tempo Morto e Outros Tempos, Gilberto Freyre - imagem: Edna Regina Hornes]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ilha do Mel

É, eu tinha que falar disso em algum momento. Principalmente em decorrência dos momentos que tenho vivido.

Por diversos motivos não citados aqui, tenho repensado, ad nauseam, minha vida, valores, ideais, objetivos. Alguém conhecido que passou pela mesma situação, anos atrás, usou uma ilustração muito interessante a respeito dessa reciclagem existencial por que havia passado, a qual reproduzo aqui. Para ele, sua vida assemelhava-se a um armário lotado de papéis de modo totalmente desorganizado. Houve um momento em que ele tomou coragem de reorganizar tudinhotudinho, "folha por folha". Sim, a coisa foi radical e profunda. Dolor, portanto. Pra começar, tirou tudo de lá de dentro da cabecinha dele. Reavaliava meticulosamente cada folha, remanejando-a para outra prateleira mental (creditando-a outro valor, peso ou interpretação), mantendo-a no mesmo lugar, ou, ainda, jogando-a fora. Incorporei à minha experiência corrente tal ilustração, que elucida muito bem o estado mental em que me encontro. Pois bem, estou reorganizando a papelada.

E como para organizar é preciso desorganizar, eis a baderna instalada no meu mundinho. Neste período, tenho me tornado mais contemplativa e silenciosa que o costumeiro, e, pra tais momentos, nada melhor que um cenário inspirador onde a beleza e a perfeição reinam, um lugar oposto à desordem do meu eu, para, de certa forma, ajudar a arrumar a zona interior de fora pra dentro. É aí que a ilha entra.

A perfeição abunda (e desbunda) em todos os recantos daquele lugar paradisíaco. Desde que estive lá, não consigo imaginar lugar mais perfeito, plácido e terapêutico que a Ilha do Mel. Confesso que quando a conheci, estava estressada ao limite, e o contraste entre minha vida e o ritmo da ilha trouxe uma paz imensa, da qual eu precisava há muito. Há quem diga, ainda, que eu poderia ter sido sugestionada pelas agradáveis companhias, pela quietude e isolamento (mesmo em alta temporada) do local, pela simplicidade e desapego dos nativos, pelos questionamentos que ronda(va)m minha mente, pelos quase 3 anos seguidos sem férias... enfim, por uma gama de fatores que, combinados, teriam me levado a amar a ilha. Tá, mas precisa de mais alguma coisa pra gostar de um lugar desses? Well, above all these things, a Ilha do Mel é a Ilha do Mel, pelamordedeus. Já foi pra lá?



[Praia do Miguel - Ilha do Mel, PR - Imagem: Edna Regina Hornes]

A vida da ilha foi uma paulada na minha cabeça. Eu, que sempre questionei os valores ocidentais de sucesso e felicidade enlatada, sempre admirei os bichos-grilo, a vida simples, estava (e estou), na verdade, sendo passiva e magistralmente englobada pela máquina e virando picles.

E quanto mais você reza, mais assombração aparece, conversei, há uns dias, com um grande amigo que hoje mora na Barra da Lagoa, Floripa. O cara, corajosamente, abandonou aquilo que a sociedade ocidental prega como vida de sucesso (emprego, faculdade, carreira, fazenda-com-vaquinha-premiada, blablablá) e jogou tudo pro alto. Hoje tem um charmoso chalé onde recebe turistas estrangeiros; passeia com os gringos pra lá e pra cá pelos recantos floripanos; cultiva um lindo jardim, cuida dos gatos e cachorro, recebe amigos com drinks descolados. Pô, também quero! Onde foi que eu me perdi que acabei parando aqui? E não é só isso. Tem também o meu amigo que me apresentou a ilha, amigo de décadasss. Trabalhou na AUDI Brasil/Alemanha, é trilíngue, viajadérrimo. No meio da estrada, sentiu um vento nordeste, largou o Mamom e foi viver. Optou pelo simples. Morou 1 ano na ilha, é instrutor de paragleider, voa pelo mundo todo, feliz e esvoaçante.

Aí é que a coisa engasga. Quais são os meus sonhos, desejos, valores reais e primários? O que considero realmente importante pra mim? Eu tenho buscado trilhar o meu caminho com vontades e objetivos claros ou acabei me desviando, me deixando levar pelas circunstâncias, pelas "oportunidades" apresentadas, portas que se abriram? O que eu tenho é o que eu quero? O que eu quero estou buscando? Um dia vou encontrar?

Ufa! Vamos parar aqui por hoje. Há ainda muito o que arrumar. Ah, mas o que ainda sinto e não esqueço é do gosto e do aroma do mel, mais forte e inebriante que o absinto, pois:

"... Assim como o favo de mel é doce na sua língua, assim também a sabedoria é boa para a sua alma. Se você a conseguir, terá um bom futuro e não perderá a esperança." (Provérbios 24:13-14)


Amém!


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