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A mão tocou tudo o que alcançava, para compreender o mundo ao seu redor. Sentia, através do seu corpo – ou melhor, através do lado direito do seu corpo – que estava deitada numa cama, que um lençol florido a cobria naquele fim de tarde ensolarado. De costas para a janela, não podia ver que o sol estava ali, presente. E nem que o céu apresentava seu cinza nublado. Ainda assim, estava deitada, com o jeito calmo e comportadinho que a caracterizava. Observava o que acontecia no quarto, como quem quer se sentir parte do contexto ao seu redor, perceber o que ocorre no seu pequeno mundo, entender o que acontece, mesmo que não possa exprimir suas agudas observações e doces piadinhas. Deixava transparecer, num misto de força e suavidade, uma certa inquietação por não conseguir comunicar a quem estava perto o que borbulhava dentro do seu coração desejoso, com a lepidez com que gostava de conversar.
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Nessa tarde, o último dia do ano de 2011, eu e o Moisés tínhamos visitado seus avós. O avô estava ali, do ladinho dela, fazendo companhia e compartilhando carinhosamente todos os pequenos detalhes, lembrancinhas e conversinhas tão bem-vindas. Ela meneava, concordando com o dito e demonstrando que parecia entender, sim, o que nós dizíamos. Quando fazia isso, parecia mostrar que, além de ser capaz de compreender, buscava uma aproximação com quem entrava ali. Seus pequenos gestos mostravam que ela tinha muito mais força do que seus mais de oitenta anos poderiam aparentar. E que era possível, sim, ter esperança de dias melhores do que este último do ano. Ela conseguiria.
Nessa tarde, o último dia do ano de 2011, eu e o Moisés tínhamos visitado seus avós. O avô estava ali, do ladinho dela, fazendo companhia e compartilhando carinhosamente todos os pequenos detalhes, lembrancinhas e conversinhas tão bem-vindas. Ela meneava, concordando com o dito e demonstrando que parecia entender, sim, o que nós dizíamos. Quando fazia isso, parecia mostrar que, além de ser capaz de compreender, buscava uma aproximação com quem entrava ali. Seus pequenos gestos mostravam que ela tinha muito mais força do que seus mais de oitenta anos poderiam aparentar. E que era possível, sim, ter esperança de dias melhores do que este último do ano. Ela conseguiria.
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Na volta, vínhamos ouvindo música dos anos 80, que nos animava, depois dessa tocante visita. Nessa hora me deparei com a grande verdade de que também, a meu modo, já estava ficando “desatualizada” e fora de moda. Meu gosto musical há muito tinha parado no tempo e não tolerava alguns ritmos que fazem sucesso no novo milênio. E pensei que minha vez de envelhecer e dizer adeus também iria chegar, já estava chegando, dia a dia, a menos e a mais. Comigo não seria diferente. Mas enquanto meu dia não chega (e olha que de fato pode acontecer com qualquer um), prefiro e decido aproveitar minha curta, curta vida. “Sonífera ilha... descansa meus olhos...”
Na volta, vínhamos ouvindo música dos anos 80, que nos animava, depois dessa tocante visita. Nessa hora me deparei com a grande verdade de que também, a meu modo, já estava ficando “desatualizada” e fora de moda. Meu gosto musical há muito tinha parado no tempo e não tolerava alguns ritmos que fazem sucesso no novo milênio. E pensei que minha vez de envelhecer e dizer adeus também iria chegar, já estava chegando, dia a dia, a menos e a mais. Comigo não seria diferente. Mas enquanto meu dia não chega (e olha que de fato pode acontecer com qualquer um), prefiro e decido aproveitar minha curta, curta vida. “Sonífera ilha... descansa meus olhos...”
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:'). Muito bonito o texto! Como sempre.
ResponderExcluirMoisés
É curta a vida, pense bem... Se bem que podemos curtir muito ela também, não é mesmo? Beijo, querida. ; )
ResponderExcluirQue lindo, Edna! Obrigada pelo texto.
ResponderExcluirBeijos,
Luciana Telles
Como dizer que gosto do que você escreve,sem me repetir outra vez? Não tenho como ler sem mergulhar nas palavras e refletir, meditar, refletir,,,meditar,,sinto em cada parte do meu corpo o tempo indo embora,mas em lugar nenhum ele dói ao partir como quando se vai do coração..
ResponderExcluirBom te ver atacando o blogue em 2012. O texto me levou a um poeta inglês, que, como você, eterniza o instante e alguém:
ResponderExcluirTempo voraz, ao leão cegas as garras
...
Ao tigre as presas hórridas desgarras
...
De meu amor não vinques o semblante
Nem nele imprimas o teu traço duro.
...
Ou antes, velho Tempo, sê perverso:
Pois jovem sempre há de o manter meu verso.