. . . Ando notando que, de tanto escrever para esperar, . a linha das palavras me leva sempre ao mesmo lugar: . aquele onde cabe uma pessoa só. . . . .
mas veja que, durante o ato de escrever, teus sentidos dançam contigo, conduzindo-te ao teu próprio imaginário, teus cantos e territórios que são somente teus. Tu vais lá onde só cabe uma pessoa só, que és tu. E a reflexão perdeu-se no caminho? Pelo visto não, pois trouxeste algo de lá para nós. E te agradeço por isso.
Um cão, porque vive, é agudo. O que vive não entorpece. O que vive fere. O homem, porque vive, choca com o que vive. Viver é ir entre o que vive.
O que vive incomoda de vida o silêncio, o sono, o corpo que sonhou cortar-se roupas de nuvens. O que vive choca, tem dentes, arestas, é espesso. O que vive é espesso como um cão, um homem, como aquele rio.
rs a escrita faz isso com a gente: as linhas às vezes nos levam aonde não queremos ir. ou queremos e não sabemos que não queremos. ou, ao não querer, queremos ainda assim...
Edna Regina Hornes é revisora e tradutora. É formada em Tradução pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na bela Porto Alegre.
Revisa especialmente textos técnicos, científicos e literários.
Pra se divertir e se expressar, escreve desde que se conhece por gente (sem grandes pretensões que não sejam a autoexpressão), tendo como grandes companheiros o teclado e o lápis, mas só agora está começando a sair da toca. É, portanto, uma escrevedora. Neste blog, ao contrário do trabalho de revisão, a autora escreve com leveza e informalidade, de um jeito coloquial e descomprometido.
mas veja que, durante o ato de escrever, teus sentidos dançam contigo, conduzindo-te ao teu próprio imaginário, teus cantos e territórios que são somente teus. Tu vais lá onde só cabe uma pessoa só, que és tu. E a reflexão perdeu-se no caminho? Pelo visto não, pois trouxeste algo de lá para nós. E te agradeço por isso.
ResponderExcluirSó ouço meu eco.
ResponderExcluirUm cão, porque vive,
ResponderExcluiré agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.
O que vive
incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.
JCML
Espesso,
ResponderExcluirporque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia, o dia que se adquire
cada dia
como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo.
Amo João Cabral. Obrigada pela mensagem.
rs
ResponderExcluira escrita faz isso com a gente: as linhas às vezes nos levam aonde não queremos ir. ou queremos e não sabemos que não queremos. ou, ao não querer, queremos ainda assim...
;;;é onde sempre chegamos...
ResponderExcluirminimamente somos mais.
ResponderExcluirPuxa, Edna... sabe, às vezes acho que tu, com teus poemas, me descreve muito melhor do que eu mesma faria. Obrigada por me ajudar a me conhecer! ;)
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